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Textos inacabados...
Vou tentar terminar esse texto, ele é sobre textos inacabados, e aí está a dificuldade de escrevê-lo, e além de ser sobre textos inacabados, ele também é sobre coisas inacabadas, sobre qualquer coisa. Pensando bem, muitos telefonemas que eu fiz foram inacabados, não disse tudo o que eu queria e agora o tempo passou e nunca mais vou dizer. Cartas que foram escritas, com tudo o que meu coração queria dizer, porém nunca foram entregues, deixando o ato inacabado, uma carta só se faz carta quando ela é entregue, uma carta não se faz no ato em que é escrita, e sim quando é lida, muitas cartas que escrevi não foram entregues, foram rasgadas, jogadas no lixo, consumidas pelo fogo, e algumas ainda estão guardadas, eu não tinha o direito de ter feito isso com elas, elas não completaram seu curso, nunca foram cartas, apenas pseudo-cartas. Já não sei contar quantos cursos deixei pra trás, quantas coisas vividas pela metade, quanto choro sem razão, quantos sonhos pela metade, sonhos que viraram pesadelos por apenas ser o meio do que podiam ser. Textos inacabados são assim, como cartas, como pessoas que se vão e que você apenas soube o nome e nada mais, é preciso viver tudo por inteiro, cem por cento, é preciso, é necessário, a vida é curta, os momentos são curtos e devem ser vividos de forma completa, por maior que seja o arrependimento no futuro, você viveu, os textos foram escritos, as cartas entregues e lidas, as músicas ouvidas até o fim, e assim, o sentimento de metade se vai, dá lugar ao sentimento de dever cumprido, por mais que aquela carta não surta efeito, aquele texto não seja lido e o amor não volte jamais.
Escrito por Che às 12h53
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Resposta do Fotógrafo!!!
O mais importante é registrar o momento, o fato em si, poderia ajudar a senhora, ato normal e bravo, porém, é meu dever mostrar o que acontece no mundo, as coisas ao meu redor, sendo fatos alegres ou tristes. A minha foto saiu na primeira página de um jornal, e chamou a atenção de todas as parcelas da sociedade, inclusive dos governantes, que em menos de quinze dias colocaram homens pra começar a obra que melhoraria tudo, com essa obra pronta, nunca mais houve enchente naquele lugar, livrando milhares de pessoas desse problema. Sempre houveram enchentes ali, e nunca ninguém fazia nada pra melhorar, ganhei prêmios pela foto, porque dizem que minha foto que fez tudo mudar, muitos dizem que inúmeras vezes fatos semelhantes aconteceram ali, mas nunca ninguém fazia nada pra melhorar aquela situação.
O que valeu mais, o fato ou a foto? Não sou herói, apenas sou um fotógrafo. Isso é tudo, essa é minha profissão!!!
Escrito por Che às 17h33
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Fotografia!
Passou natal, ano novo, um novo ano chegou e eu ainda não escrevi nada, há algum tempo eu não escrevo nada realmente, e não sei por qual motivo isso está acontecendo, sei que esse texto que deixo hoje mostra um pouco do que estou sentindo, vivendo e pensando. Espero que alguém entenda.
Minha vida é fotografar, fotografar tudo, uma simples flor, o enorme mar, tudo o que me chama a atenção eu tento fotografar. Tenho sorte, pois eu gosto do que faço, gosto realmente, desde garoto pensava em ser fotógrafo, fiz um curso técnico, gostei tanto que fiz um curso superior, e a vida foi me levando, minha primeira foto foi vendida pro jornal a Folha de São Paulo, pura sorte, a história dessa foto é a seguinte, estava saindo da faculdade e parei em uma lanchonete pra comer alguma coisa, enquanto eu estava sentado comendo meu lanche começou a cair uma chuva torrencial, olhei pra fora e uma senhora tinha ficado dentro do carro e agora estava presa pela enchente que em poucos minutos tinha se formado, alguns homens que estavam na mesma lanchonete que eu foram socorrer a senhora, só sobrou eu ali, peguei minha câmera e registrei tudo. Ganhei alguns trocados com aquele primeiro trabalho, e depois daquele dia sempre surgiu alguma coisa interessante pra eu fotografar, e assim me tornei fotógrafo, parece que o mundo conspirou pra isso, tudo aconteceu naturalmente. Certo dia eu percebi que só ganhei dinheiro com fotos tristes, e lembrei desse episódio da senhora na enchente, todos foram a ajudar, menos eu, sempre me pergunto que eu deveria ter ajudado também, esse era meu dever, não de pegar a câmera e começar a tirar fotografias, e se alguém tivesse machucado, e se fosse crucial a minha ajuda? Penso isso todos os dias da minha vida, e ainda não sei o que eu deveria ter feito. O que eu deveria ter feito? Realmente eu não sei, pensei muito sobre isso, e ainda penso, mas realmente eu não sei o que eu deveria ter feito, e o que eu devo fazer, devia ter registrado a realidade do mundo ou ter ajudado pra que a realidade do mundo, ao menos naquele momento fosse mais amena. ????????? Não sei!!!
(Somos todos fotógrafos da vida...)
Escrito por Che às 15h03
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